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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Arroz de Polvo à Ancorense

 
 


Ingredientes para 5 pessoas:
  • 1200g de polvo
  • 1 cebola picada
  • 2 dentes de alhos picados
  • 2 folhas de louro
  • 1dl de azeite
  • 400g de arroz
  • 1 molho de salsa
  • 2 tomates pelados
  • 1 copo de vinho branco
  • Sal q.b.
  • Pimenta q.b.
Preparação:

1. Num tacho leve o polvo a cozer, sem água e em lume baixo entre 50 minutos a 1 hora.
O polvo irá cozer na própria água que vai largando.
Depois de cozido corte em pedacinhos.

2. Num tacho faça o refogado com o azeite, a cebola, os alhos e as folhas de louro.
Deixe refogar um pouco e junte o tomate cortado em cubinhos.
Deixe refogar tudo.

3. Junte o arroz e deixe fritar um pouco.
Junte o vinho, a água de cozer o polvo e aproximadamente 0,5L de água.
Tempere com sal e pimenta.
Deixe cozer 15 minutos.

4. Adicione o polvo.
Deixe ferver e junte a salsa picada.
Tape, apague o lume e deixe estar assim dois minutos antes de servir.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Um diálogo aberto e claro sobre o relatório depois do debate

Terá lugar no Vaticano de 4 a 25 de Outubro de 2015 sobre o tema «A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo» a décima quarta assembleia geral ordinária do Sínodo dos bispos. Anunciou, a mandato do Papa Francisco, o secretário-geral do Sínodo dos bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri, abrindo na manhã de segunda-feira, 13 de Outubro, a décima primeira congregação da actual assembleia extraordinário.
Na presença do Papa e com a participação de 184 padres, o cardeal Erdő apresentou o relatório após o debate, que reúne – explicou - «os resultados das nossas reflexões e diálogos» tal como emergiram na primeira semana de confronto. Acerca do texto desenvolveu-se depois um debate amplo, aberto e claro – animado pelas intervenções de 41 padres sinodais – sob a presidência de turno do cardeal Raymundo Damasceno Assis.
Tomaram a palavra no debate livre desta manhã, entre outros, os cardeais Kasper, Pell, Braz de Aviz, Turkson, Ouellet, Ouédraogo, Filoni, Dolan, Martínez Sistach, Schönborn, Vingt-Trois, Burke, Scherer, Napier, Ryłko, Müller, Scola e Cafarra; o patriarca Gregorio III Laham, e os arcebispos Paglia e Forte.
Sobre a questão da admissão dos divorciados recasados à eucaristia emergiram as diversas linhas já expressas nos dias passados. As intervenções desta manhã esclareceram ulteriormente nos pormenores os contornos da questão, analisando sobretudo o que significam os conceitos de gradualidade e acolhimento, com as suas implicações práticas, e sem nunca pôr em questão a unicidade, a fidelidade e a indissolubilidade do matrimónio cristão. Além disso foi pedida uma referência explícita ao baptismo, ponto fundamental em cada caminho de conversão. Contudo, no Sínodo – foi frisado – não se realiza um referendo mas um diálogo.
Durante a análise, muito atenta, da relatio – foram avançadas observações, sugestões e propostas – foi pedido entre outras coisas para dar mais ênfase ao papel da mulher e à maternidade, assim como à relação entre o Evangelho da família e a cultura contemporânea. Sobretudo foi invocado um grande encorajamento profético dirigido a todas aquelas famílias que, até ao preço de enormes sacrifícios, testemunham todos os dias a verdade cristã sobre o matrimónio. Em síntese – foi frisado – seria oportuna uma afirmação positiva do amor matrimonial, assim como do valor social das famílias. Foi evidenciada a obra daquelas famílias missionárias – com a acção de associações, movimentos e novas comunidades – que são um testemunho com o seu próprio ser. E isto é válido não só para os lugares nos quais a Igreja é minoritária, mas também para todas as paróquias.
Além disso foi proposto que se indique expressamente a família como «Igreja doméstica» e a paróquia como «família de famílias domésticas». Foi proposto ainda que seja esclarecido o papel específico dos pais e de recordar também a importância dos avós. Mais uma palavra foi pedida, depois, acerca dos sacerdotes no acompanhamento das famílias. E sobre a questão antropológica que evidencia o mistério trinitário. Foi mencionado também o problema da falta de fé, que está na base das tantas falências.
No respeitante à questão dos homossexuais, foi pedida uma formulação que tenha em consideração as pessoas mas que não contradiga de modo algum a doutrina católica sobre matrimónio e família.
Outras intervenções referiram-se a questões relativas ao diálogo ecuménico. Tantas vozes da África frisaram as especificidades daquele continente: foi evidenciada a problemática da poligamia e o pedido de que as organizações internacionais se preocupem mais com levar alimentos e fármacos, e não com programas contra os nascimentos.
Foi depois proposta uma palavra mais forte sobre o drama do aborto e sobre a questão da fecundidade assistida, e sobre a exploração sexual, que inclui a pornografia na rede, a prostituição e o tráfico de seres humanos. Por fim, alguns padres frisaram a analogia entre o Sínodo e o clima que foi vivido no concílio Vaticano II.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Fecho da Segurança Social em Vila Praia de Âncora

Caminha: Autarca ameaça "mobilizar" população contra fecho da Segurança Social

O presidente da Câmara de Caminha disse hoje que "mobilizará a população" de Vila Praia de Âncora para "lutar" contra o fecho da Segurança Social se não forem aceites as propostas do município para manter o serviço local.
 
"Se a resposta à solução apresentada ao centro distrital da Segurança Social de Viana do Castelo para manter o serviço de atendimento de Vila Praia de Âncora for não, mobilizarei a população para lutarmos até ao último segundo. Existe esse risco mas também confio que vamos encontrar soluções para que não cheguemos a esse ponto", afirmou à agência Lusa o socialista Miguel Alves.
 
O autarca adiantou ter recebido informações que indicam que a decisão de encerramento "é irrevogável" uma vez que, "já foi comunicado ao proprietário do espaço onde está instalado o serviço, a rescisão do contrato de aluguer".
 
A Lusa tentou a ouvir o diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Viana do Castelo, o que não foi possível até ao início da tarde.
 
Miguel Alves disse já ter encetado "diálogo" com aquele responsável a quem entregou uma proposta "que passa por acabar com o argumento do despesismo ou racionalidade económica em que a Câmara assume os custos de grande parte do funcionamento deste serviço".
 
"Se eu apresentar como já apresentei soluções, junto do diretor distrital, que apontam para que não haja a despesa do arrendamento das instalações não vejo outra razão para encerrar este serviço de proximidade que não seja, eventualmente, uma decisão de maior hostilidade relativamente a Vila Praia de Âncora ou Caminha.
 
De acordo com Miguel Alves, o diretor distrital Paulo Órfão demonstrou "abertura de espírito e vontade de resolução do problema" apesar de reconhecer que "está condicionado pelas ordens que vêm de Lisboa".
 
"Quero contar com o senhor diretor nesta batalha. Espero e acredito que ele esteja ao lado do município de Caminha", frisou.
 
Segundo o autarca, o serviço de atendimento de Vila Praia de Âncora "tem cinco funcionários e regista 70 atendimentos por dia de todas freguesias do vale do Âncora e ainda de pelo menos três do concelho vizinho de Viana do Castelo".
 
Lembrou que aquela vila é a mais populosa do concelho de Caminha, com mais de cinco mil habitantes e afirmou que o fecho daquele serviço "seria sempre uma má decisão ainda pior no momento atual".
 
"Neste momento é um serviço que presta toda a atenção às famílias que vivem momentos muito vulneráveis por estarem especialmente desprotegidas face à crise", sustentou.
 
Explicou que apesar da "redução de cerca 10% no número de desempregados, relativamente a 2013, o concelho tem ainda 812 desempregos inscritos no centro de emprego".
 
Apesar de "indignado" Miguel Alves não se mostrou "nada surpreendido" com as notícias que apontam para este encerramento "porque o Governo tem encetado uma política que discrimina os territórios de baixa densidade, como Caminha e tem vindo a proceder ao encerramento de serviços por todo o lado.
 
"Se querem encerrar metade do país que digam a esse país que é assim que nos querem tratar. Nós não somos cidadãos de segunda, somos cidadãos de primeira porque só há cidadania de primeira".
 

A trégua e os túneis

Israel rejeita a proposta de um cessar-fogo a longo prazo enquanto não forem destruídas as passagens subterrâneas de Hamas 


Só doze horas sem hostilidades para permitir os abastecimentos à população da Faixa de Gaza

Uma trégua de doze horas foi aceite por Israel ontem, no final de um intenso colóquio diplomático. Embora tenha rejeitado a proposta dos Eua de um cessar-fogo de sete dias, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu abriu uma espiral para permitir aos civis palestinos abastecer-se de alimentos, água e remédios, e às organizações humanitárias, oferecer assistência. 

A trégua entrou em vigor às 7h00 de hoje (horário local). Para Netanyahu é prioritária a segurança e portanto o controle e a eliminação total dos túneis que os milicianos palestinos usam para entrar da Faixa de Gaza no território israelita. Por isso — anunciaram fontes do poder executivo — a oferta inicial do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, de uma trégua de sete dias a partir de domingo foi considerada «inaceitável» porque não dá «prioridade às exigências de segurança». Israel pede que as tropas permaneçam no terreno enquanto todas as suas finalidades não forem alcançadas. «A oferta de Kerry põe em evidência as vantagens que Hamas procura, mas não dá prioridade aos nossos pedidos de segurança»; e por isso é «inaceitável», comentou um representante israelita.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A violência vence-se pela paz

O Papa Francisco telefona pessoalmente aos presidentes israeliano e palestino compartilhando as suas preocupações pelo conflito

Depois de dez dias de ataques aéreos contínuos em resposta aos foguetes de Hamas, o exército israeliano lançou ontem durante a noite uma ampla operação terrestre na Faixa de Gaza. Portanto, não obteve sucesso a iniciativa diplomática egípcia e as esperanças de paz parecem cada vez mais distantes.

Na sequência do apelo premente para que se continue a rezar pela paz na Terra Santa, lançado domingo passado, esta manhã o Papa Francisco telefonou pessoalmente ao presidente israeliano Shimon Peres e ao presidente palestino Mahmoud Abbas, compartilhando as suas gravíssimas preocupações pela atual situação do conflito, que atinge em particular a Faixa de Gaza e que, num clima de crescente hostilidade, ódio e sofrimento para os dois povos, está a semear numerosas vítimas e causando uma situação de grave emergência humanitária. Como fizera durante a sua recente peregrinação à Terra Santa e por ocasião da invocação pela paz no passado dia 8 de Junho, o Papa garantiu a sua oração incessante e a de toda a Igreja pela paz na Terra Santa e compartilhou com os seus interlocutores, que considera homens de paz e que querem a paz, a necessidade de continuar a rezar e a trabalhar para fazer com que todas as partes interessadas e quantos têm responsabilidades políticas a nível local e internacional se comprometam para fazer cessar qualquer hostilidade, esforçando-se em prol de uma trégua, da paz e da reconciliação dos corações.
Também o secretário-geral da Onu, Ban Ki-moon, auspiciou que em breve as armas possam ser silenciadas. Com efeito, declarou que «não pode haver uma solução militar para este conflito».

in http://www.osservatoreromano.va/pt/news/invocacao-pela-paz#.U80eOC9dY74

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O nosso idioma é internacional

Partilho com os meus leitores este magnífico artigo publicado originalmente no jornal "La Region" no suplemento especial "Dia das Letras" de José Paz Rodriguez*


No Sempre em Galiza assinalava Castelao que “o nosso idioma é extenso e útil porque com pequenas variantes fala-se em Brasil, Portugal e nas hoje ex-colónias portuguesas da Ásia e da África”. Pola sua parte, Risco comentava em 1930 que “poucos galegos se têm percatado do que Portugal é para nós. Portugal é a Galiza ceive e criadora, que levou polo mundo adiante a nossa fala e o nosso espírito, e inçou de nomes galegos o mapa do mundo”.

Rafael Dieste, que em 1933 dirigiu magistralmente a missom pedagógica por Galiza, no seu livro Ante a terra e o céu, diz : “Existe entre o galego e mais o português tam estreita afinidade que quanto mais português é o português e mais galego é o galego, mais venhem a se assemelharem”. Em Pensamento e Sementeira, Vilar Ponte escreve : ”Ou é que ainda hai quem, possuindo algumha cultura, pense que o nosso idioma vernáculo e o idioma de Portugal nom som todo um e o mesmo, com idêntica sintaxe e idêntico léxico, agás pequenas diferenças, fáceis de subsanar, se nom se querem unificar a custo dum pequeno esforço, e agás galicismos e americanismos que abundam na fala dos irmaos de além Minho?”.

Em similares termos falárom outros dos nossos vultos como Otero, Murguia, Biqueira, Bouça-Brei, Blanco Torres, Carvalho Calero, Guerra da Cal e Marinhas del Valhe, ademais de esse grande galego de Anadia que foi Rodrigues Lapa.

Diante deste prístino pensamento lingüístico, desenvolvido nas décadas dos anos vinte e trinta do passado século, um nom se explica porquê os galegos virárom as costas e fechárom os olhos a umha realidade tam evidente. Fazendo seguidismo dum muito errado cidadao asturiano chamado Constantino Garcia, que, para se perpetuar, deixou de herdeiro um Manolo González dirigindo o Centro “Ramón Piñeiro”, do que nos contam tem um orçamento elevadíssimo e umhas contas em excesso opacas.

Polo que nom é admissível que seja neste lugar onde de verdade se decida a errada política lingüística levada a cabo nos últimos tempos. Afastando-nos do mundo lusófono ao que pertencemos e indo contra o mais elementar sentido lingüístico da romanística. Grande responsabilidade é a dos dirigentes deste centro e também a do actual presidente da Academia corunhesa, tomando decisões em nome dos galegos, muito negativas para a internacionalidade e o futuro da nossa língua.

Disfarçadas de falsa normalizaçom, nos últimos 25 anos na Galiza, levamos sofrendo autênticas políticas de substituiçom lingüística. As autoridades e as administrações públicas, em vez de garantir os direitos lingüísticos e democráticos do povo galego, discriminam e perseguem aos que discrepamos e nom aceitamos o programa de substituiçom lingüística e a dialectalizaçom castelhana do nosso idioma, que tenta fazê-lo desnecessário no seu próprio país.

Temos também que exigir o reconhecimento da condiçom internacional da nossa língua, que com a variedade própria das línguas internacionais é falada por centos de milhões de pessoas no mundo, quer como língua nativa, tal como nós, quer como língua oficial de 8 Estados soberanos nos cinco continentes, ou como língua cada vez mais estudada em todo o mundo polas vantagens das línguas internacionais.

Todos os galegos e galegas temos que exigir umha mudança imediata das políticas que tentam fazer a nossa língua desnecessária e dialectal, para outras que garantam os nossos direitos lingüísticos individuais e colectivos, fazendo que o idioma da Nossa Terra seja extenso e útil. Aos nacionalistas temos que solicitar-lhes umha política mais inteligente no apoio à língua, fomentando o uso mais por convencimento que por imposiçom e adiando, se pode ser de forma definitiva, o seu clássico sectarismo.

Muitas vezes as sobreprotecções som mais negativas que positivas. Umha mae “canguru” com o seu filho nom é consciente de que nom está a favorecer o seu desenvolvimento com tal atitude. Aos mesmos recomendamos-lhes voltem a ler o que diziam os nossos vultos mais importantes e os programas daquelas Irmandades da Fala, com ideias muito mais claras que as dos políticos de hoje.

Finalmente solicitamos à actual Junta da Galiza, e ao seu presidente, que, quanto antes, se efective aquele acordo unánime de que de umha vez por todas se podam ver na Galiza as televisões portuguesas e se escutem as rádios. Que se solicite já a entrada da Galiza como membro de pleno direito no conselho da lusofonia (CPLP) com representaçom oficial. Que, quando se aprove no parlamento português o acordo ortográfico, Galiza se adira ao mesmo. E que nom se perda mais tempo, dinheiro e esforços em manter umha língua afastada do mundo ao que pertence. Galiza tem que deixar de ser de umha vez “o País dos tempos perdidos”.
 
(*) Professor da Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo).

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A escolha da solidão

Não há só homens eremitas, mas também mulheres, embora muitos tendam a esquecê-lo porque é uma vida perigosa e, com frequência, malvista pelas autoridades religiosas e laicas. Desde as origens, houve mulheres que decidiram viver fora do barulho do mundo, no isolamento, no silêncio e no recolhimento. E não fechadas num mosteiro. A sua escolha não é só um fenómeno distante no tempo, mas um modo de viver ainda hoje praticado, um importante caminho de busca de uma relação com Deus, de quem quer «ouvir directamente – como diz Antonella Lumini, entrevistada por Lucetta Scaraffia – a voz do Espírito Santo», uma escuta ainda mais importante, porque «as mulheres são mais receptivas, sabem reconhecer a ternura de Deus, transmiti-la e narrá-la».
 
pintura no tecto da igreja Debre Berhan Selassie em Gondar, na Etiópia (foto Gerster)
Isolar-se do mundo para se dedicar só à meditação e à relação com Deus é uma escolha corajosa. É-o para os homens, é-o ainda mais para as mulheres, às quais no passado foi muitas vezes proibida, a ponto de as induzi a disfarçar-se de homens para se retirar num eremitério.
 
O isolamento é arriscado demais, é demasiado radical para uma mulher a escolha de viver nos bosques e nas grutas protegida só pela fé. O convento é melhor, mais seguro, protegido e disciplinado por regras certas.
 
Todavia, desde os primeiros séculos do cristianismo, muitas conseguiram vencer o desafio, às vezes escolhendo como ermo os muros da cidade. Mario Sensi fala sobre isto no seu artigo acerca das origens desta vocação que refloresceu após o Concílio Vaticano II e na década de 1990 levou Adriana Zarri, recordada por Giulia Galeotti, a refugiar-se nas montanhas do Piemonte, onde «reza, cultiva, se dedica aos animais e acolhe os que passam», onde nada acontece mas «sucede a vida».
 
Hoje, a escolha de viver na solidão – explicam-no muitas eremitas modernas – pode-se fazer até numa cidade, no meio da vida de todos os dias com os seus problemas e as suas dificuldades. Mesmo uma casa qualquer, um apartamento normal num condomínio pode tornar-se uma “pustinia”, um lugar no deserto onde viver recolhido em meditação e no silêncio.
 
Catherine de Hueck recriou uma “pustinia” nos bosques canadenses e narrou esta experiência em um livro. Nestes anos na América do Norte multiplicaram-se as Madonna Houses. Reflectir, meditar, desprender-se do mundo, criar uma relação com Deus e com a parte mais profunda de si mesmo é uma indicação preciosa também para as mulheres de hoje. (r.a.)